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| Foto: Francisco Chagas |
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Ray Melo,
Do oriobranco.net
Escritor foi acusado de pedofilia pela advogada Joana D’arc, em audiência aberta da CPI da Pedofilia
Atendendo a um pedido do deputado Luiz Calixto (PSL) a Assembleia Legislativa do Acre, realizou na manhã de terça-feira, 1º, de dezembro, uma sessão de desagravo ao poeta e escritor Mauro Modesto, acusado de praticar pedofilia, pela advogada e ativista de direitos humanos, Joana D arc, na audiência aberta da CPI da Pedofilia no dia 12 de agosto de 2009.
O presidente da Aleac, deputado Edvaldo Magalhães (PC d B) abriu a sessão falando da importância da realização da sessão, para reparar os danos causados pelo depoimento da advogada, a imagem de Mauro Modesto. “Este é um ato simples, mas necessário para o poeta Mauro modesto. É uma tentativa de repor a verdade. Temos consciência que é apenas o início de um processo de reparação”, afirmou.
Luiz Calixto, um dos responsáveis pela sessão de desagravo, disse que a decisão de fazer a audiência aberta, da CPI da Pedofilia, foi um avanço, lembrando que se a oitiva fosse feita de forma secreta, possivelmente, Mauro Modesto teria sido condenado sem direito a defesa. “Este ato só esta sendo possível, por que o depoimento foi feito de forma pública. Se fosse feita de forma secreta, talvez Mauro Modesto tivesse sido condenado de forma sumária”, destacou.
O deputado lembrou ainda, que a avó e a mãe da criança, afirmaram que sequer conheciam o poeta. Calixto disse que Joana D arc ficou deslumbrada pela luzes das televisões, páginas de jornal e pediu ao povo acreano e autoridades, que reconheçam a inocência de Mauro Modesto.
Contrário a posição de Calixto, sobre a audiência pública, da CPI, o deputado Donald Fernandes (PSDB), relator da CPI da Pedofilia, disse que a sessão de desagravo, não seria necessária, caso os colegas de parlamento tivessem escutado seus apelos, para que os depoimentos fossem secretos. “Um erro desta natureza, serve para que homens de bem, não sejam condenados. Dificilmente Mauro Modesto se livrará do fardo que foi colocado em suas costas. Um homem de 70 honrarias e 80 diplomas, não merece passar por este constrangimento”, enfatizou.
Lembrando da época em que Mauro Modesto atuava na assessoria de comunicação, do governo de Geraldo Mesquita, o deputado Walter Prado (PDT) falou do empenho profissional e da conduta do poeta, no âmbito familiar e pessoal. “O verdadeiro socialista nunca se cala diante das injustiças. O depoimento de Joana D arc foi desonesto, injusto e de uma agressividade sem tamanho. Uma pessoa sem nenhum senso de responsabilidade, talvez ela, nem conheça as pessoas que acusou. Nos 38 anos, que conheço Mauro Modesto, nunca ouvi falar de nenhum ato que desabonasse a sua conduta. Mauro é muito mais importante, que as acusações, que lhe foram imputadas”, defendeu.
Helder Paiva (PR) defendeu os valores de Modesto, afirmando que ele foi um dos primeiros a questionar a veracidade dos depoimentos da advogada Joana D arc. “O Mauro foi atingido na sua alma, no seu coração, mas seus amigos estão aqui, para dizer o quanto você é leal a seus princípios. Você pode andar no Acre, de cabeça erguida. Conte com todos os deputados, que onde você passar, estaremos disposto a defende-lo” acrescentou.
Em tom conciliador, Moisés Diniz (PC do B) disse que não entraria no mérito do depoimento ser abeto, ou fechado, destacando que o ato, realizado pela Aleac, não era para discriminar, ou desmoralizar as denuncias de Joana D arc, mas segundo o parlamentar, o que ela fez foi bárbaro. “Já que ela, não pediu desculpas públicas, nós estamos aqui, para pedir desculpas a você”. Ao final de seu pronunciamento, Diniz presenteou o poeta Mauro Modesto com o livro de sua autoria, “O Santo de Deus”.
Na tribuna, Modesto falou das agruras sofridas pelas acusações
“A Assembleia Legislativa do estado do Acre, com a realização dessa moção de desagravo a minha pessoa, evidencia mais uma vez o seu compromisso com a verdade e com os respeito ao ser humano. Esta moção, é uma prova que esta Casa de tantas lutas, continua sendo o fio condutor da razão, da honra e da dignidade”, com estas palavras, o poeta Mauro Modesto iniciou seu relato sobre os momentos vividos, após as acusações sofridas na audiência, da CPI da Pedofilia.
Num pronunciamento de quatro páginas, Mauro Modesto relatou todos os questionamentos e reflexões sobre o assunto, chegando, segundo ele, a pensar em cometer suicídio. O poeta falou dos valores familiares cultivados, agradecendo a presença de seu irmão, o ex-deputado Ulisses Modesto, sua esposa, filho e falou do apoio recebido pelos amigos, que conhecem sua trajetória.
Emocionado, o poeta fez um desabado, ouvido atentamente, por todos os presentes, nas galerias e no plenário. “Próximo dos 70 anos, de idade, pensava eu, que conhecia o som das armas da decepção. Estava completamente enganado. Agora senhores, tive que conhecer o rufar dos tambores da intolerância e do rancor. Fui obrigado a conhecer o poder da covardia”, descreveu, o poeta, sobre a situação vivida, tendo que suportar, segundo ele, os olhos da duvidosos da sociedade.